Os Sete erros do RH

21 de Janeiro de 2016
Erica Carneiro

Ou Desventuras de um profissional em busca de recolocação no mercado

Caros leitores,

Esse post é um pouco diferente dos demais. Essa semana, a equipe do Blog Kenoby deu-me a tarefa de escrever um texto sobre erros de RH. Desafio lançado, após muito ponderar sobre a melhor forma de elaborar esse conteúdo, cheguei à conclusão que, enquanto candidata e profissional do mercado, a melhor forma de redigir tal material e demonstrar as principais falhas num processo seletivo seria relatando algumas de minhas experiências na busca por novas oportunidades.

De fato, tenho inúmeras histórias e causos mirabolantes pelos quais passei recentemente ou que me foram contadas por colegas. Assim, decidi compartilhá-las com vocês, nossos leitores, para que possam ter uma ideia do que realmente se passa na cabeça de um candidato durante o processo seletivo.

E lá vamos nós!

1) O teste da panela de pressão

Tarefa: Fazer uma prova escrita de inglês

Fácil, certo? Sim, assim seria se o telefone não estivesse tocando a cada cinco minutos, com ligações de engano ou com o gerente da área informando a cada instante quanto tempo falta para terminar a prova.

Tentar simular um ambiente de pressão a fim de averiguar se o candidato sabe trabalhar sob pressão não é uma boa forma de avaliação, pois cada indivíduo chega a seu escritório com diferentes níveis de estresse. Trabalhar sob estresse não significa ser incomodado a cada minuto, mas, sim, trabalhar com deadline apertados e/ou alta responsabilidade em seu trabalho. Melhor seria utilizar o tempo para avaliar o zelo e a proficiência do candidato ao invés de sua capacidade de suportar ligações impertinentes. Esse tipo de teste também pode levar à contratação do profissional que está em um bom dia e não do mais competente. Afinal de contas, não há como prever como o outro reagirá quando estiver em um mau momento.

Há pessoas que estão com problemas familiares, econômicos ou mesmo desempregadas, enquanto outras não.  Evidentemente, que quem está empregado terá um desempenho muito superior nesse tipo de teste, ainda que não seja o melhor candidato para a vaga.

2) O recrutador mágico ou “Fui à entrevista, mas nunca me retornaram…”

Você vai à entrevista, o recrutador entra em contato com você diversas vezes e ainda envia um e-mail: “Em breve entraremos em contato com você!!!” (sim, com todas essas exclamações) e – puff – some. Criar falsas esperanças nos candidatos, e desaparecer não é nada legal. É feio, pega mal para o RH e para a empresa, além de ser pouco profissional.

Já falamos sobre isso aqui no Blog Kenoby: Feedback é fundamental! O candidato tirou um tempo de seu dia para comparecer a sua entrevista, arrumou-se adequadamente, chegou com antecedência e escolheu sua corporação dentre várias outras. O mínimo que se pode fazer é dar alguma posição para esse profissional. Ele realmente espera esse tipo de consideração. Lembre-se: não é só o postulante que está em busca de um emprego, você também está em busca de um profissional.

 3) Entrevistando na pracinha

Imagine a seguinte situação: Você recebe a ligação de uma vaga, arruma-se apropriadamente, chega com 15 minutos de antecedência, conforme o script do bom profissional, e vai à entrevista. Quando você é anunciado pela recepção, pedem que aguarde… Repentinamente, suando, falando rápido e em tom de segredo, o recrutador diz: “Vamos para a pracinha que a vaga é confidencial, pois vou demitir um funcionário e não quero que ele saiba”.

Nem preciso dizer que a impressão inicial foi péssima, pois demonstra total falta de profissionalismo por parte do recrutador e da empresa. Se algo é confidencial não deveria ser divulgado ao candidato, além do mais se a corporação tem um escritório, ele deve ser usado. “Pracinha” não é lugar de entrevista de emprego e, se um funcionário será demitido, o candidato não tem nada a ver com isso.

4) Recrutamento consultoria gratuita

Há também aqueles casos em que a entrevista de emprego notoriamente se torna uma reunião de consultoria técnica gratuita. Ninguém trabalha de graça, logo, ninguém irá entregar uma estratégia de planejamento de marketing ou um software novo apenas para fazer uma entrevista.

5) O Pinocchio

Sim, a vaga é CLT e não é temporária, mas estamos com uma funcionária de licença maternidade e…”, – fala o recrutador sorrindo.

Mas é lógico que a vaga é temporária e para resolver logo o problema, o entrevistador mente, sem a menor cerimônia, para o candidato. Empatia é fundamental. Os recrutadores não esperam que os candidatos mintam na entrevista, o contrário também vale.

6) A Espiral da Inadimplência

Segundo dados do Serasa, o desemprego é a principal causa de inadimplência no Brasil, mas reza a lenda que algumas empresas não contratam pessoas que estejam inadimplentes, mas como limpar o nome sem uma renda fixa mensal? Além do mais, há ainda aqueles que nem mesmo sabem que estão com “o nome sujo”, pois algumas empresas de serviços passam meses sem dar qualquer tipo de esclarecimento a respeito. Ora, é sempre bom lembrarmos que quem precisa ter qualidade de crédito é a corporação, e não o funcionário, afinal de contas, é ele quem trabalha um mês sem receber.

Reflitamos: se o desemprego é a principal causa de inadimplência, não seria um um contrassenso não empregar por esse motivo? Trata-se de um desfavor que a organização faz para o próprio mercado e para si mesma indiretamente. É gerar uma espiral sem fim.

 7) Sol, suor, umidade e inhaca de cachorro molhado

The best for the last! E foi isso mesmo que você leu: “inhaca de cachorro molhado”. Não há mal algum em ter uma pequena empresa, cujo escritório fica numa bela casa de aparência residencial, mas deixar o candidato esperando do lado de fora, por mais de uma hora, num calor subsaariano, todo arrumado, num sofá com cheiro de cachorro é o fim da picada!

Vivemos num país de clima opressivo, ora faz calor demais, ora chove demais, enfim… Ter uma sala de espera adequada e climatizada é essencial, não só para os candidatos, mas também para seus clientes. Afinal de contas, que imagem será passada para potenciais contratantes e contratados?

Aí vão algumas lições de marketing: imagem é tudo e a primeira impressão é a que fica.  E nada contra cães, adoro-os, na verdade, mas ninguém é obrigado a ficar sentindo o cheiro do seu segurança noturno enquanto aguarda.

E a busca continua…

Bem, esses foram apenas alguns exemplos de experiências que nós, candidatos, vivemos todos os dias na busca de recolocação profissional. Vivemos uma época de crise, logo, há muitas pessoas procurando emprego.

E se você tiver passado por alguma situação semelhante ou tenha conhecimento de mais um “causo mirabolante” de recrutamento, conte para a gente ou poste nos comentários! A busca por melhorias sempre deve continuar e nada melhor o que a troca de experiências para isso! 

Até a próxima!

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