Qualidade de vida no trabalho: qual a sua importância afinal?

12 de janeiro de 2018
Kenoby

Nunca se falou tanto sobre qualidade de vida no trabalho — e, provavelmente, o assunto será cada vez mais discutido no futuro. A verdade é que as empresas precisam reorganizar seus ambientes de trabalho para garantir bem-estar às equipes.

Pode não parecer, mas o investimento em qualidade no espaço corporativo envolve custos ínfimos se comparados à falta deste recurso. Equipes insatisfeitas são improdutivas, mais propensas a erros, atuam no limite do estresse e costumam se envolver em diversos conflitos.

O investimento no bem-estar das equipes, por outro lado, produz diversos efeitos positivos, como o maior comprometimento dos profissionais. Segundo a Sodexo, empresas que se preocupam com essa questão são (em média) 86% mais produtivas.

Quer entender mais sobre o assunto, sua importância e como otimizar a qualidade de vida no trabalho? Continue a leitura do guia que criamos para você!

O significado de qualidade de vida no trabalho

Em primeiro lugar, é preciso conceituar o que é ter qualidade de vida. Muitas empresas já criaram espaços de lazer para seus funcionários — com mesas de sinuca, videogames e muito mais —, porém, definitivamente, isso não é o mais importante.

É possível melhorar a qualidade de vida com poucos investimentos, mudando especialmente alguns hábitos dentro da empresa. Oferecer qualidade de vida significa respeitar os profissionais nos aspectos físico e mental, garantindo que tenham boas condições para desempenharem suas tarefas diárias.

Algumas mudanças, como a melhoria da iluminação do ambiente de trabalho e otimização da comunicação interpessoal, já fazem toda a diferença. Para isso, é preciso algum investimento financeiro e, principalmente, comprometimento da liderança.

A importância da qualidade de vida para a empresa

A questão principal é: em que isso beneficia a empresa? Antes de oferecer a resposta, é preciso entender o atual contexto mercadológico. Tendo isso em vista, as companhias nunca estiveram inseridas em um mercado tão disputado, com clientes e concorrentes ávidos. Segundo o IBGE, cerca de 6 em cada 10 empresas fecham antes de completar 5 anos de atividade. Esse é apenas um dos diversos dados sobre o assunto.

Para sobressaírem, portanto, as empresas precisam encontrar um diferencial que possa destacá-las no mercado. Como as ideias são abundantes, as tecnologias e estratégias podem ser facilmente copiadas, o real diferencial está nas pessoas — isto é, nos colaboradores.

É possível afirmar que uma empresa que investe na qualidade de vida no trabalho e que beneficie toda a sua equipe é muito mais competitiva. Buscando isso, ela consegue contar com profissionais motivados, comprometidos e capazes de entregar ótimos resultados.

O investimento também faz com que o absenteísmo caia vigorosamente, tornando os profissionais mais aplicados ao cumprimento dos horários e da jornada de trabalho. O mesmo acontece com o turnover, reduzindo a evasão dos talentos.

Na medida em que uma empresa investe na qualidade de vida, pode observar melhorias na atração de talentos, reputação da empresa, produtividade e até lucratividade. De acordo com a Sodexo, o bem-estar torna as empresas (em média) 70% mais rentáveis.

Por tudo isso, o assunto deve estar presente nas reuniões estratégicas e deve ser de responsabilidade não apenas do RH, mas dos demais líderes e sócios do negócio. Dessa maneira, resultados significativos podem ser conquistados.

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O que pode ser feito para melhorar a vida das equipes

Algumas ações são fundamentais para proporcionar boas experiências no ambiente de trabalho. Veja as principais a seguir e saiba como colocar em prática na sua empresa:

Manutenção do equilíbrio entre vida pessoal e profissional

Não é difícil ver profissionais que passam do seu horário por diversos dias seguidos para entregar um projeto ou relatório ao seu líder imediato. Isso demonstra empenho, porém, desequilibra sua vida pessoal e profissional, prejudicando-os.

Uma medida simples é ter políticas mais claras sobre a jornada de trabalho, indicando que as horas extras só devem ser feitas quando realmente for necessário. Nos casos em que o profissional acumular um número considerável de horas, induza-o a trocar por um dia de lazer.

Incentivo de práticas saudáveis na empresa

Ir de bicicleta para o trabalho, alimentar-se com mais qualidade no refeitório, realizar exercícios de ginástica laboral e praticar algum tipo de esporte são bons exemplos de práticas que podem — e devem — ser incentivadas na organização.

Além de melhorar a qualidade de vida, essas práticas garantem que os talentos fiquem mais dispostos para entregar ótimos resultados no expediente, tornando-os mais produtivos. E mais: elas custam nada ou quase nada para o empreendimento.

Melhoria do ambiente de trabalho

Esse ponto vai variar muito de acordo com o orçamento da empresa. Se há recursos para investir em uma sala de descanso ou jogos, ótimo! O retorno financeiro será visto no aumento do comprometimento e produtividade da equipe.

Todavia, é possível investir menos e ter ótimos resultados. Melhore questões como luminosidade, acústica e temperatura do espaço de trabalho, além da ergonomia dos móveis de escritório. Esse é um excelente começo.

Otimização do diálogo com os profissionais

Sem dúvida, a comunicação tem uma forte influência na maneira como os profissionais se relacionam internamente. A falta de diálogo deixa os colaboradores sem orientação, culmina em erros e conflitos dentro do estabelecimento.

Antes de qualquer coisa, a melhoria da comunicação deve considerar o comprometimento da liderança. Os superiores precisam aprender a cascatear as informações aos seus subordinados, mantendo-os sempre informados do que é preciso.

Incentivo da liderança pelo exemplo

Quando os líderes transmitem fielmente os valores da empresa, é muito mais provável que criem um ambiente agradável e motivador para se estar. Nesse sentido, eles devem ser verdadeiros exemplos no dia a dia, uma espécie de espelho para os funcionários.

Um líder exemplar é aquele que ouve seus superiores e subordinados, que abraça a cultura da empresa e entrega resultados pessoalmente. Eles não são perfeitos, ninguém é, mas empenham-se para cumprir fielmente com o que falam aos seus subordinados.

As principais consequências da falta da qualidade de vida

Do mesmo modo que a busca pela qualidade de vida gera benefícios à empresa, tornando-a mais competitiva e rentável no seu mercado, a falta dela também gera uma série de impactos. Admitidamente, muitos negócios podem ruir pela falta de um ambiente adequado, que gere entusiasmo e motivação aos talentos. Entenda!

Aumento da rotatividade precoce dos talentos

Em todo negócio, é preciso contar com talentos para alcançar grandes resultados, afinal, nenhum gestor faz tudo sozinho. O problema é que, quando há qualidade de vida negativa, que gere mal-estar no trabalho, os profissionais abandonam o “navio”.

Em razão disso, uma das principais consequências é a rotatividade precoce. Mesmo os profissionais recém-contratados, que poderiam passar mais tempo na empresa, preferem buscar por novas oportunidades ou migrar para a concorrência.

Aumento dos custos demissionais

Cada funcionário que sai da empresa gera um custo extra. Sabe-se, por exemplo, que a demissão de um profissional pode custar mais de um ano do seu trabalho, ou seja, custa bastante caro para a empresa. Logo, com o aumento da saída, há aumento de custos.

Parece contraditório, mas empresas que deixam de investir no bem-estar interno por problemas financeiros acabam gastando muito mais. Os custos demissionais são apenas um exemplo, mas existem muitos outros, como os altos custos com novas contratações.

Deterioração da marca empregadora da empresa

Talvez você já tenha percebido que as grandes empresas lutam cada vez mais para serem classificadas como as melhores para se trabalhar. Todos os anos, a Great Place To Work lança uma lista das melhores e a competitividade para fazer parte dela é elevadíssima.

Além de ser muito bonito aos olhos dos clientes finais, ter uma forte marca empregadora garante que os maiores talentos façam parte da empresa. Nas empresas onde a qualidade de vida é baixa, essa marca é deteriorada por conflitos e conversas paralelas.

Os sinais que demonstram uma qualidade de vida ruim

Há alguns sinais presentes no dia a dia que podem demonstrar a falta de qualidade de vida no trabalho, mesmo sem levantar indicadores de desempenho, apenas por meio da observação. Então, é preciso estar atento a eles e corrigi-los rapidamente. Confira!

Infraestrutura precária

Como está o ambiente físico da empresa? Tire alguns minutos para dar uma volta pelo estabelecimento e avaliar como estão as mais diversas áreas, da financeira até a de expedição de produtos. Desse jeito, você terá uma visão sistêmica do negócio.

Avalie se a infraestrutura está adequada ou se precisa de ajustes com urgência. Busque por pontos como: infiltração, mofo, excesso de calor e falta de iluminação. Não tenha dúvida, pequenas coisas podem atrapalhar bastante o trabalho e até mesmo prejudicar a saúde dos funcionários.

Microgerenciamento dos gestores

O gestor é importantíssimo para manter a qualidade de vida no trabalho. Ele comanda o ritmo de trabalho da sua equipe, e diz o que será ou não feito no expediente. O problema não está em gerenciar a equipe, mas em microgerenciar.

Se ainda não conhece o tema, o microgerenciamento é o tipo de gestão em que o chefe pratica um controle exagerado sobre seus funcionários, os processos e tarefas do dia a dia. Resumindo, deixa pouco espaço para que os outros atuem por conta própria.

Microgerenciar os profissionais é uma forma de afirmar que eles têm poucas competências técnicas e comportamentais, bem como não são dignos de confiança no trabalho. Por isso, é um grande sinal de que a qualidade de vida no trabalho é baixa.

Existência de bullying e chacotas no expediente

A diversidade da equipe é um fator realmente importante, pois abre espaço para a criatividade e a inovação no trabalho. Por outro lado, também é uma brecha para a prática de chacotas e piadas ofensivas, que geram até processos à organização.

Por isso, é preciso estar atento ao que acontece nos times de trabalho, contando especialmente com os olhos e ouvidos dos líderes. Deve haver uma tolerância zero com o bullying, com piadas e brincadeiras ofensivas que afetem os talentos.

Se na empresa há atritos por conta de chacotas, aí está um grande alarme que precisa ser considerado. Invista em palestras acerca do respeito à diversidade, desligue profissionais que praticam o bullying e mostre que essa postura não condiz com a firma.

Inexistência ou falhas de comunicação

Como anda a comunicação em sua empresa? Essa deveria ser uma pergunta comum, mas não é. Muitos gestores e profissionais de RH não dão a devida atenção ao diálogo no trabalho e, por isso, existem muitas falhas na comunicação interpessoal e intergrupal.

O último sinal destacado neste artigo é a ausência da comunicação, o que pode acarretar uma série de prejuízos ao negócio e à qualidade de vida dos profissionais. Sem um diálogo saudável a respeito do que deve ser feito, nenhum processo pode ser bem realizado.

Busque por todos esses sinais, mesmo que por meio da simples observação. Assim, poderá deduzir se o ambiente de trabalho é saudável ou não. Imagine-os como uma grande luz vermelha piscando, indicando que há algo muito errado e que deve ser corrigido. Conte também com a colaboração de outros líderes do empreendimento.

As métricas para mensurar a qualidade de vida no trabalho

Existem diversos indicadores de RH que podem ser usados para ter uma visão sistêmica do que está acontecendo dentro da empresa, além de subsidiar decisões estratégicas.

Para medir a qualidade de vida no trabalho, um importante indicador é o turnover. Ele mede o percentual de profissionais que deixaram o quadro de trabalho. Para tanto, basta relacionar o número de profissionais ativos em determinado período e o número de desligados na mesma época. Em outro post, deixamos claro como calcular o turnover.

Outro fator que deve ser considerado é o nível de assiduidade. A falta de qualidade faz com que os colaboradores encontrem pretextos para faltar ou atrasar constantemente, aumentando o nível de absenteísmo. Então, é preciso acompanhá-lo!

Para finalizar, é importante considerar o número de conflitos interpessoais. Se os profissionais estão sempre entrando em discussões, é sinal que de o clima da organização está pesado e carece de melhorias significativas. E mais: há ruídos que interferem na comunicação interna e que devem ser eliminados com urgência.

Como se pode ver, um ambiente de trabalho adequado é de suma importância para o bem-estar dos profissionais. Sem isso, é provável que a empresa nunca consiga reter seus talentos, atender bem os clientes ou se destacar da concorrência. Ao gerar qualidade de vida, a empresa se torna muito mais produtiva, lucrativa e atraente.

Agora que você compreende a importância da qualidade de vida no trabalho, aproveite para deixar seu comentário aqui no post. Fale um pouco sobre suas experiências com o tema e diga também o que achou do nosso artigo. Vamos lá! Sua participação é fundamental para o enriquecimento do nosso blog!

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