Referências profissionais: como buscar?

30 de julho de 2018
Kenoby

Para buscar boas referências profissionais, é necessário que os interessados sigam alguns passos, como a realização de um checklist, a organização de sua agenda e seguir um roteiro de perguntas para garantir maior assertividade nas respostas.

As referências profissionais atendem a uma demanda por aprofundamento das informações obtidas durante um processo seletivo. Isso porque, nem sempre, as entrevistas, análises de currículo e técnicas similares fornecem todos os elementos necessários para uma boa escolha.

No entanto, a consulta às pessoas que fizeram parte do passado do candidato deve ser conduzida com cautela. Faltar com a ética ou responsabilidade nessa situação pode, até mesmo, gerar infrações legais.

Por isso, a seguir, separamos algumas orientações que podem ajudar o recrutador nesse desafio. Continue lendo e torne os processos seletivos da sua empresa mais efetivos!

Como planejar a busca por referências profissionais?

A busca por referências profissionais é uma estratégia que demanda uma carga de trabalho relevante. Com efeito, é importante que, antes de seguir por esse caminho, o recrutador realize outros tipos de filtragem.

Igualmente, o planejamento se revela uma etapa determinante para uma ação bem-sucedida. Algumas boas práticas de preparação são as seguintes:

Fazer uma checklist

O recrutador não pode fugir dos pontos-chave para formar a opinião sobre o candidato, tampouco deixar de questionar algum tópico importante.

Por isso, assim como em toda checklist, o ideal pensar nos pontos que serão abordados, especialmente dúvidas e informações que exigem validação.

Para te ajudar nessa tarefa, elaboramos um checklist gratuito de planejamento estratégico no R&S.

Elaborar perguntas inteligentes e estratégicas

Com a lista em mãos, é hora de planejar as perguntas que servirão de gatilho para que o profissional consultado forneça os esclarecimentos. Essa etapa é importante porque é a base do aprofundamento das informações de currículos, entrevistas e outras técnicas de seleção.

Para executá-la, inicie pela divisão dos pontos a serem esclarecidos em tópicos ou categorias. Assim, você terá grupos, como habilidades técnicas, comportamentos, temperamento, condições do contrato anterior etc.

A partir daí, procure as questões que possam validar informações ou solucionar dúvidas. Não há, nesse caso, uma única fórmula, mas abordagens com diferentes finalidades:

Perguntas fechadas

As questões taxativas são utilizadas quando o responsável precisa de uma resposta do tipo sim ou não, bem como dados específicos sobre o candidato.

Por exemplo: o profissional trabalhou por três anos na empresa? Qual era a remuneração do cargo anterior? Quantas pessoas faziam parte da equipe que ele liderava? Você o recontrataria?

Perguntas abertas

Esse segundo grupo de questões visa extrair ou aprofundar informações sobre o profissional. Na verdade, a pergunta funciona como uma espécie de estímulo e o ouvinte deve entender e sintetizar os pontos relevantes.

Por exemplo: como era a sua relação com o empregador? Como ele se comportava em equipe? Como ele se comportava em posições de liderança? Por que ele foi demitido da empresa?

Uma dica é privilegiar questões iniciadas com os pronomes “por que”  e “como”, uma vez que eles chamam o interlocutor a fornecer um relato.

Organize sua agenda

Um quarto ponto relevante é disponibilizar tempo para preparar e realizar os contatos com as referências profissionais. Isso porque, o processo exige paciência e cautela para se certificar de que todos os esclarecimentos foram obtidos.

Além disso, é importante que o contato não se restrinja as pessoas mencionadas em um currículo. Pense o recrutamento como uma oportunidade de estender a rede de relacionamentos do RH da empresa. Então, sempre que possível, marque reuniões com outras pessoas-chave.

Por fim, o processo de organizar a agenda passa também por um planejamento adequado das ligações e reuniões. O segredo é não surpreender os profissionais, dando preferência a um contato prévio por e-mail, nos casos em que isso for viável.

Aplique a escuta ativa

Durante o diálogo, o ouvinte precisa dedicar sua atenção ao entendimento do relato, anotando os pontos mais relevantes. Trata-se da chamada escuta ativa.

Essa prática passa também pelo uso de perguntas complementares, visando a compreensão dos tópicos abordados. Por exemplo, se a referência fornece uma resposta taxativa (sim ou não) para uma questão aberta, você deve estimular a fala, questionando se há algo mais a dizer.

Outra ação oportuna é confirmar os pontos-chave de uma explanação. Para isso, repita o que você entendeu e questione se a compreensão obtida está correta.

Como utilizar as referências de forma ética e responsável?

Os cuidados dessa investigação se voltam, principalmente, para a proteção do candidato contra a exposição de informações que não se relacionam com as finalidades do processo seletivo, bem como as inverídicas.

Nesse sentido, um primeiro passo é solicitar que o próprio profissional indique algumas pessoas. Isso permite o confronto de informações diante da manifestação de um possível desafeto.

Igualmente, pode ser interessante colher o feedback do candidato sobre as informações apresentadas, dando oportunidade de esclarecer os fatos. Afinal, muitas vezes, ele pode demonstrar a transformação de erros em aprendizado.

Por fim, é recomendável que, antes de entrar em contato com a referência, você revise as questões para eliminar assuntos pessoais. Ao adentrar nesse campo, há sempre o risco de a conduta ser considerada abusiva.

Por que é importante buscar referências profissionais?

Um dos objetivos do processo seletivo é nutrir os responsáveis com as informações necessárias para uma contratação consciente. No entanto, os dados oferecidos diretamente pelo candidato podem não ser completos ou plenamente confiáveis.

Isso ocorre porque, como mostra a experiência, as pessoas exageram as próprias competências em currículos e entrevistas. Sem contar que, mesmo que se apresentem de forma contida, os profissionais tendem a direcionar o foco apenas para os pontos positivos.

Contudo, também existem aquelas situações em que a pesquisa soluciona as partes cegas das técnicas de seleção. Por exemplo, como saber se o profissional é realmente um líder ou se apenas obteve um desempenho fora da curva em uma prova situacional?

Resumidamente, ao analisar a utilidade e serventia das referências profissionais, chega-se aos seguintes pontos:

  • esclarecer as informações obtidas em currículos, entrevistas e demais técnicas de seleção;
  • complementar a base de dados com informações novas sobre o profissional;
  • validar as competências alegadas pelo candidato;
  • verificar a presença de softskills, ou seja, de competências comportamentais e relacionais (trabalho em equipe, empatia, resiliência etc.);
  • questionar sobre o cumprimento de regras, como padrões éticos, regulamento da empresa, contrato de trabalho etc.

O processo seletivo estará mais completo com o uso adequado das referências profissionais. Então, coloque as ideias deste conteúdo em prática e forme uma base de dados confiável sobre os candidatos da sua empresa.

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